domingo, 19 de fevereiro de 2017

Resoluções de questões de difícil solução


Imagine que tudo o que você sabe sobre seu bisavô é que ele emigrou de um país da antiga união soviética, nunca contou muito sobre o passado, mudou de nome, queimou os documentos e morreu levando todas as informações que seus pais, tios, primos e avôs em vão tentaram extrair.

Durante anos a fio, o ramo paterno da minha avô paterna foi esse mistério insolúvel.
As únicas pistas eram uma data e o nome da cidade, conforme registradas (sem comprovação) no registro de estrangeiro.

A cidade era (ainda é) minúscula, rural, de difícil acesso, atualmente território da Romênia, mas anteriormente Ucrânia. Os microfilmes pesquisáveis para a região estavam em alemão, romeno e russo.

Para ajudar, o nome e a data haviam sido informações fornecidas apenas verbalmente pelo bisavô aos oficiais brasileiros, ou seja, poderiam não ser verdadeiras.

Então esperamos.
Esperamos.
Esperamos.

Esperar é também uma arte na arte da genealogia.

Para ser honesta, preciso dizer que não tinha esperança de encontrar o fio dessa meada
(Talvez, se algum dia fossemos para a Bucovina, o que não estava nos planos... E sem  falar romeno, seria preciso muita muita sorte ou intervenção Divina, para descobrir os dados desejados)

Chegamos a cogitar, sem sucesso, um curso do idioma ou procurar um falante nativo que escrevesse uma carta. Chegamos a prospectar genealogistas profissionais e pagar anuidade na sociedade bucovina de genealogia para acesso a banco de dados.

Mas os anos passaram e o ramo enroscado ficou lá parado.

Então anos atrás, uma prima que eu não conhecia, me procurou para saber em que pé estava esse ramo comum da nossa genealogia e eu comentei com ela que "não estava" porque não havia pistas concretas.

Ela comentou que tinha um certificado que não ajudaria muito, porque o nome estava faltando.
Pedi e ela me enviou o arquivo digital, que realmente não tinha nome.



O certificado de batismo do nosso bisavô continha a data e o local de nascimento, confirmando a informação fornecida nos documentos brasileiros de imigração, o que por si só já era uma fonte valiosa. Mas o antigo documento surrado continha também uma peça chave para a continuação da busca: "Numerul casei", que descobri ser "Número da casa", não um número de casa enquanto residência, mas casa no sentido de Família.

De posse desse número valioso, pesquisei e descobri que haviam três peças de microfilmes de Zastawna no catalogo da FHL, então entrei contato com o diretor do CHF mais próximo e solicitei o rolo que compreendia o ano que eu procurava.

Para quem desconhece a pesquisa em microfilmes fornecidos pela A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), o blog tem uma postagem detalhada sobre o assunto aqui.

Minha caixa chegou em alguns dias e corri lá para olhar o filme num domingo à noite. (Os CHFs são mantidos por voluntários e tem horários diferentes de funcionamento em cada localidade).

E lá na data, estava a casa 191.




Por causa desse número pequeno, que aqui é o telefone da Polícia Rodoviária, descobri o nome correto do bisavô e seus pais (trisavós) e descobri filhos deles, que minha avó e seus irmãos desconheciam:

Mapia, Euphrozina, Teophie.

E sei que tem mais irmãos perdidos nos outros dois rolos, que em breve, espero encontrar. 
(Obrigada Josu e Tammy pela assistência nessa pesquisa remota, direto da FHL.)

Então, se sua genealogia está parada em de questões de difícil solução, não desanime.
Quem acredita sempre alcança, e várias vezes quem não acredita (presente!) também.


...

Info: Imagens de certificado fornecida por Rita Michailuca e página do microfilme original dos arquivos da FHL somente para ilustração.


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